Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil realiza a 10ª Conferência Internacional da Diversidade

O que a 10ª Conferência Internacional da Diversidade mostra sobre o futuro do Turismo LGBT+ no Brasil?

A 10ª Conferência Internacional da Diversidade acontece em São Paulo entre 22 e 26 de setembro de 2026, reunindo turismo, negócios inclusivos, esporte e cultura. Promovido pela Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil, o encontro chega à décima edição com pesquisas sobre o turista LGBT+, projetos para destinos e discussões sobre inclusão. Para o turismo, a mensagem é prática: acolhimento precisa aparecer na experiência real do viajante, não apenas na comunicação.

O que é a 10ª Conferência Internacional da Diversidade?

A 10ª Conferência Internacional da Diversidade é um encontro realizado pela Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil, em São Paulo, voltado a profissionais, empresas, destinos turísticos, organizações e representantes do poder público.

A edição de 2026 acontece de 22 a 26 de setembro, no Centro de Eventos São Luís. A programação de conteúdo foi organizada em três eixos: Turismo LGBT, em 23 de setembro; Negócios Diversos, no dia 24; e Esporte e Cultura, no dia 25. O encerramento ocorre no dia 26 com um Baile de Gala para convidados.

Chegar à décima edição também tem um significado particular para a organização. Ricardo Gomes, presidente da Câmara LGBT, definiu 2026 como a “Conferência da entrega”, lembrando as dificuldades enfrentadas na edição anterior e a continuidade do projeto.

Por que o Turismo LGBT+ ganhou um dia próprio na Conferência?

O dia 23 de setembro foi dedicado ao Turismo LGBT+, reunindo profissionais e organizações ligadas diretamente ao setor. Entre os participantes e expositores citados pela organização e pela imprensa especializada estão Embratur, Turismo da Bahia, Accor, Orinter, ABAV Travel SP, tg.mob, Estado e Prefeitura de São Paulo, além de outras empresas e entidades.

Para quem trabalha com turismo, existe uma questão concreta por trás desses encontros: como transformar inclusão em uma viagem na qual a pessoa realmente se sinta respeitada e bem recebida?

Isso passa pela comunicação, mas não termina nela.

Um viajante LGBT+ precisa encontrar informação antes da viagem, atendimento adequado durante a compra e fornecedores preparados no destino. Hospedagem, transporte, passeios, restaurantes e experiências fazem parte da mesma viagem.

É justamente aqui que o tema conversa diretamente com o trabalho da DESTI — Destination • Eco • Sustainability • Travel • Inclusion: inclusão precisa fazer parte da maneira como a experiência turística é pensada e entregue.

O que muda quando conhecemos melhor o turista LGBT+ brasileiro?

Um dos destaques desta edição é a apresentação da primeira Pesquisa do Perfil e Comportamento de Consumo da População e do Turista LGBTQIA+ do Brasil, produzida pela Câmara LGBT em parceria com o IEMI – Inteligência de Mercado e com apoio da Embratur. A Câmara informa que o relatório será desenvolvido anualmente.

Esse tipo de levantamento tem uma aplicação direta.

Quanto melhor destinos e empresas conhecem hábitos, expectativas e comportamento de consumo desse público, menor a necessidade de trabalhar com suposições sobre o que seria uma viagem LGBT+.

Na prática, os dados podem ajudar o setor a responder perguntas como:

  • O que influencia a escolha de um destino?
  • Que informações fazem diferença antes da reserva?
  • Como segurança e acolhimento interferem na decisão?
  • Quais experiências esse viajante procura?
  • Onde estão as falhas entre a publicidade inclusiva e o atendimento efetivamente recebido?

A pesquisa apresentada durante a Conferência ganha relevância justamente porque procura transformar percepção em informação mensurável.

O que significa “Diferente de tudo, igual a você”?

A décima edição também marcou a apresentação da assinatura da Câmara LGBT: “Diferente de tudo, igual a você”.

Segundo a apresentação do conceito, a proposta parte das diferentes identidades, histórias e maneiras de viver o turismo. Cada pessoa estabelece uma relação própria com um destino, e essa experiência pode contribuir para identificação e pertencimento.

No turismo inclusivo, isso tem uma consequência simples: pessoas diferentes não precisam necessariamente de viagens completamente separadas; precisam ter condições de viver a viagem com respeito às suas características e necessidades.

Um destino pode ser o mesmo. A maneira de vivê-lo, não.

Essa diferença importa para hotéis, receptivos, transportadoras, guias, operadoras, restaurantes, atrações e órgãos públicos.

Como São Paulo aparece nessa discussão sobre Turismo LGBT+?

São Paulo não participa apenas como cidade-sede.

A edição de 2026 também envolve uma press trip internacional, realizada com apoio da Secretaria Municipal de Turismo e da Embratur. Oito jornalistas internacionais foram convidados para conhecer a cidade antes da Conferência.

Outra iniciativa apresentada é o Guia LGBT da cidade de São Paulo. Também está em desenvolvimento uma pesquisa sobre o Turismo LGBT+ no Estado de São Paulo, feita em parceria com municípios paulistas para compreender melhor o segmento no território estadual.

Essas ações mostram uma parte importante do trabalho de um destino: não basta dizer que ele recebe diversidade. É preciso fornecer informação útil para que diferentes viajantes consigam planejar e viver a cidade.

Como mobilidade e fornecedores entram no turismo inclusivo?

Inclusão no turismo também aparece em etapas que recebem menos atenção nas campanhas.

Transporte é uma delas.

A tg.mob esteve entre os expositores relacionados pela Conferência. A empresa atua com transporte executivo e logística, incluindo transfers e veículos para eventos.

Isso ajuda a ampliar a discussão: uma viagem não acontece apenas no hotel ou na atração turística.

Ela começa na pesquisa, passa pela reserva e continua no aeroporto, transfer, deslocamentos, hospedagem, alimentação, passeios e atendimento.

Para uma empresa que pretende trabalhar de fato com turismo inclusivo, vale olhar para toda essa sequência.

O que o lançamento de ferramentas voltadas ao público LGBT+ pode mudar na viagem?

Durante a programação acompanhada pela DESTI, outro ponto de atenção foi a apresentação do Dicas LGBT  e da proposta do aplicativo voltado a experiências e conexões LGBT+, incluindo a frente Dicas Trip, pensada para reunir destinos, roteiros e experiências.  www.instagram.com/dicaslgbtbr/

A utilidade de uma ferramenta desse tipo está em um problema conhecido de quem viaja: encontrar informações relevantes antes de decidir onde ir e o que fazer.

Para o viajante LGBT+, informação pode ter um peso ainda maior. Saber onde encontrar experiências, serviços e locais adequados ao seu perfil ajuda no planejamento e reduz incertezas durante a viagem.

A apresentação do aplicativo e de suas funcionalidades foi acompanhada pela DESTI durante o evento; essas informações não constam nas fontes públicas da Conferência consultadas para este artigo.

Por que representatividade também importa dentro do turismo?

A Conferência não limita diversidade ao produto turístico.

Sua programação conecta Turismo, Negócios Inclusivos, Esporte e Cultura. No dia 24, o foco passa às empresas e à inclusão na cadeia de valor. No dia 25, esporte e cultura entram na discussão sobre representatividade e geração de oportunidades.

A presença de Mama Darling ( www.instagram.com/mamadarling_drag ) na condução da Conferência também coloca a representatividade diante do próprio público do evento.

Para quem trabalha com turismo, há uma aplicação direta: inclusão envolve tanto quem viaja quanto quem trabalha, atende, fornece, lidera e participa economicamente da atividade turística.

Uma empresa pode comunicar diversidade para seus clientes e, ao mesmo tempo, avaliar como diversidade e inclusão aparecem em sua equipe e em sua rede de fornecedores.

O que empresas e destinos podem aprender com a Conferência?

A principal leitura da DESTI é que turismo inclusivo não deve ser tratado como uma campanha isolada.

Para sair do discurso e chegar à experiência do viajante, algumas perguntas são mais úteis do que uma declaração genérica de acolhimento:

  • A equipe sabe atender diferentes públicos com respeito?
  • O viajante encontra informações suficientes antes de comprar?
  • Os fornecedores seguem o mesmo padrão de atendimento?
  • A comunicação corresponde ao que será encontrado no destino?
  • Existem canais para identificar e corrigir problemas?
  • A diversidade está presente também nas relações profissionais e comerciais?

Uma empresa não precisa alegar que está preparada para tudo. É melhor informar com precisão o que oferece e melhorar aquilo que ainda precisa ser desenvolvido.

Para o viajante, informação confiável também é inclusão.

Perguntas frequentes sobre a 10ª Conferência Internacional da Diversidade

Quando acontece a 10ª Conferência Internacional da Diversidade?
A edição de 2026 acontece entre 22 e 26 de setembro, em São Paulo. Os dias 23, 24 e 25 concentram, respectivamente, as programações de Turismo LGBT, Negócios Diversos e Esporte e Cultura.

Quem organiza a Conferência Internacional da Diversidade?
O evento é promovido pela Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil, entidade que trabalha com diversidade e inclusão nos setores empresarial, turístico, cultural e esportivo.

O que é Turismo LGBT+?
É o segmento do turismo relacionado às necessidades, interesses e experiências de viajantes LGBT+. Na prática, envolve desde informação e planejamento até atendimento, segurança, hospedagem, transporte, lazer e experiências no destino.

Qual foi o destaque da edição de 2026 para o turismo?
Entre os pontos apresentados estão a pesquisa sobre perfil e comportamento de consumo do turista LGBTQIA+ brasileiro, o Guia LGBT de São Paulo, a pesquisa estadual sobre Turismo LGBT+ e a press trip internacional realizada na capital paulista.

Por que turismo inclusivo é importante para destinos e empresas?
Porque diferentes pessoas podem encontrar necessidades distintas ao planejar e realizar uma viagem. Informação adequada, atendimento respeitoso e fornecedores preparados ajudam a tornar a experiência mais segura e adequada ao viajante.

O que fica depois da Conferência?

A décima edição ajuda a colocar uma pergunta prática para todo o setor: o viajante encontra na experiência aquilo que a empresa ou o destino promete na comunicação?

Para a DESTI, falar de inclusão no turismo é falar sobre pessoas viajando com mais informação, respeito e condições para aproveitar um destino sendo quem são.

É esse turismo que queremos acompanhar, discutir e ajudar a construir.

Atualizado em: setembro/2026